Na nossa vasta e antiga terra da China, muitos ofícios possuem seus próprios códigos e tabus, sendo ainda mais rigorosos e misteriosos naquelas artes ancestrais transmitidas de geração em geração. Por exemplo, quem lê o destino através do arroz não pode indagar sobre a causa da morte; o artífice de caixões não pode fabricar um caixão para si mesmo; o mestre das figuras de papel não deve jamais desenhar olhos em bonecos de papel; quem serve de intermediário para divindades não pode permitir que seu altar esteja incompleto... Uma vez que essas regras e proibições são quebradas, acontecimentos aterradores podem ocorrer.
Na nossa vasta terra de tradição milenar, cada profissão tem seus próprios costumes e tabus, quanto mais antiga e misteriosa a arte, mais rígidas são essas regras. Por exemplo, quem consulta o arroz não pode perguntar sobre a causa da morte; carpinteiros de caixões não devem fabricar o próprio; artesãos de papel não podem pintar os olhos em bonecos de papel; e aqueles que conduzem cerimônias espirituais não podem atuar em templos incompletos... A violação de tais preceitos pode desencadear acontecimentos terrivelmente assustadores.
É sobre essas regras e tabus que vou narrar. Numa pequena cidade ao norte, erguida ao redor da maior prisão do estado, havia uma modesta loja de artesanato de papel. Para juntar dinheiro para tratar o pai adotivo, Zhao Yuliang foi obrigado a trabalhar nessa loja, muito distante de casa. Apesar do salário elevado, o enigmático proprietário só lhe exigiu uma coisa: respeitar as regras.
Quatro regras estranhíssimas...
Primeira: além de Zhao Yuliang, nenhum outro vivo pode entrar na loja. Nem mesmo o velho sacerdote — o próprio dono — ousava cruzar o limiar, apenas o acompanhava até a porta, sem jamais pôr um pé dentro.
Segunda: a loja só pode abrir após receber o primeiro raio de sol e deve fechar antes que o último desapareça. Após o fechamento, nunca se deve abrir a porta principal, por motivo algum! Mesmo que Zhao Yuliang precise sair apressado, deve usar a porta dos fundos ou o buraco para cães no canto da parede.
Terceira: os bonecos e cavalos de papel devem ser dispostos em duas filas, voltados para a entrada.